terça-feira, 20 de novembro de 2012

Artigo Grupo 2 - Versão Prévia



ESTUDO DO COMPLEXO DE INCLUSÃO DE L-TRIPTOFANO EM 2-HIDROXIPROPIL ß CICLODEXTRINA POR ESPECTROSCOPIA DE U V – VISÍVEL E MODELAGEM COMPUTACIONAL DE NANOESTRUTURAS

 

Claudia Grigolo Pinto¹, Julio Henrique Hartmann², Nadia Márcia Dumke³

1,2,3 Alunos do Programa de Pós-Graduação em Nanociências – Curso de Mestrado - Centro Universitário Franciscano - UNIFRA - Santa Maria – RS

 

RESUMO

Neste trabalho, através do método de modelagem computacional e pela preparação e caracterização por espectroscopia UV-visível realizou-se o estudo do complexo de inclusão do L-triptofano em 2-hidroxipropil ß Ciclodextrinas. Modelarmente a estrutura molecular do L-Trip foi incluída graficamente na estrutura molecular da β-CD permitindo a visualização e simulação em 3D. Os dados foram coletados e os cálculos computacionais estão sendo feitos. Após, será realizada a comparação entre a simulação computacional e o complexo de inclusão real.


ABSTRACT

O resumo na língua Inglesa será feito na versão final do artigo.

 
1 INTRODUÇÃO

O estudo da química supramolecular é a parte que envolve todas as interações intermoleculares não covalentes (Szejtli,1998).Complexos supramoleculares do tipo “hospedeiro-convidado” tem sido descritos através da literatura, sendo o “convidado” a molécula incorporada em lamelas, poros,ou cavidades do “hospedeiro” Comum a estes modelos é a existência de forças não covalentes relativamente fracas, como ligações hidrogênio e interações de Van der Waals (SAMORÌ, 2005).
Entre os sistemas supramoleculares do tipo “hospedeiro-convidado” foram estudados, aqueles constituídos por ciclodextrinas,com o seu relativo baixo custo a sua baixa toxicidade e a possibilidade de formação de compostos de inclusão (SZEJTLI, 1998).
Ciclodextrinas representam a possibilidade de complexação molecular por encapsulamento com moléculas orgânicas, o que leva ao aumento de solubilidade em água de várias substâncias com interesse bioquímico (Eastburn,1994).
Para tal, possuem estrutura toroidal, composta por um ciclo de 7 unidades de d -glicose (a forma beta), com cavidade hidrofóbica e grupos OH superficiais, tornando a sua superfície hidrofílica. A forma 2 -hidroxipropil é obtida a partir da  hidroxialquilação de grupos OH na posição 2 de uma  unidade de d -glicose e apresenta maior solubilidade em água que a forma não modificada (Loftsson ,1996).
Normalmente, as ciclodextrinas são produzidas semi sinteticamente a partir da degradação do amido catalisada pela enzima cyclodextrin glucanotransferase (SZEJTLI, 1998). A geração de ciclodextrinas originou três formas, α−, β−, e γ – ciclodextrinas, compostas respectivamente por seis, sete e oito unidades de D-glicose, interligadas por ligações α−(1,4) glicosídicas, (CONNORS, 1997).
 

Figura 1 - Ciclodextrina

A principal característica da estrutura da ciclodextrina é a cavidade de caráter hidrofóbico, com superfície externa mais hidrofílica (LOFTSSON, 1996). Assim, algumas propriedades daí são geradas como a solubilização de biomoléculas em meio aquoso, maior biodisponibilidade e diminuição de efeitos colaterais (SINGH, 2002).

Figura 2 – Cavidades polar e apolar

“O Triptofano é um aminoácido essencial usado pelo cérebro – junto com a vitamina B6, niacina (ou niacinaminda) e magnésio – para produzir serotonina, um neurotransmissor que leva as mensagens entre o cérebro e um dos mecanismos bioquímicos do sono existentes no organismo” (MINDELL, 1986).
Os aminoácidos são as estruturas fundamentais das proteínas, até se poderia dizer que ele é a matéria prima da proteína. Os aminoácidos são ácidos orgânicos que encerram em sua molécula um ou mais grupamentos Amina. Existem vários tipos de aminoácidos, sendo os mais importantes os alfa-aminoácidos. Qualquer molécula de aminoácido tem um grupo carboxila (COOH) e um grupo amina ligado a um átomo de carbono. Nesses mesmos carbonos ficam ligados ainda um átomo de hidrogênio e um radical (R). O radical (R) representa um radical orgânico, diferente em cada molécula de aminoácido encontrado na matéria viva. Os aminoácidos possuem caráter anfótero, ou seja, quando em solução podem funcionar como ácidos ou como bases. Os aminoácidos são as estruturas fundamentais das proteínas.
 

Figura 3 – Estrutura dos aminoácidos


Cada aminoácido consiste de um grupo amino (-NH2) básico (alcalino), um grupo carboxí1lico (-COOH) ácido e uma cadeia lateral (grupo R) que é diferente para cada um dos 20 diferentes aminoácidos. Cada variação no número ou na sequência de aminoácidos produz uma proteína diferente, sendo que uma grande variedade de proteínas é possível. A situação é semelhante à utilização de um alfabeto de 20 letras para formar palavras. Cada letra seria equivalente a um aminoácido, e cada palavra seria uma proteína diferente.

Existem, aproximadamente, 500 tipos de aminoácidos na natureza. No entanto, somente 20 atuam como constituintes das proteínas do nosso organismo. Combinações complexas destes 20 tipos resultam em mais de 100 mil tipos de proteínas.

E o Triptofano é a matéria prima da serotonina que é o neurotransmissor essencial responsável pelo bom humor, pela alegria e antidepressão. Porém, não sendo a serotonina capaz de atravessar a barreira hematoencefálica quando os seus níveis são insuficientes, apenas uma toma de suplemento em triptofano ou em 5-HTP, os seus dois precursores, permite elevar esses níveis de forma eficaz.

O L-triptofano e o 5-HTP são metabolizados em serotonina seguindo a mesma via metabólica. Apesar disso, algumas pessoas reagem melhor a um suplemento de L-triptofano do que de 5-HTP.
Algumas das fontes naturais do Triptofano são: germe de trigo, castanhas, requeijão, leite, carne, peixe, peru, banana, tâmara, amendoim, linhaça, todos os alimentos ricos em proteínas.
 

Figura 4 - Triptofano

 

Figura 5 - Serotonina

 

O triptofano é comum em plantas como constituinte de proteínas e precursor intermediário da biossíntese de várias substâncias indólicas, entre elas o ácido indolacético (HAGGQUIST et al., 1988). Segundo Gordon & Paleg (1961), os fenóis, em condição de oxidação, reagem com o triptofano para formar a auxina (ácido indolacético). Schneider & Wightman (1974) e Shingh (1981) também citam o triptofano como precursor na formação do ácido indolacético (AIA). O nível de triptofano nas células das plantas é controlado pela sua própria concentração e que existe uma concentração normal deste aminoácido nas células que será provavelmente transformado em auxinas (WILDHOLM, 1971).

A presença de triptofano no nosso organismo contribui para:
- Induzir o sono de forma natural.
- Reduzir a sensibilidade à dor;
- Atuar como um antidepressivo natural;
- Aliviar as enxaquecas ou dores de cabeça;
- Contribuir para a redução da ansiedade e da tensão;
- Ajudar a aliviar alguns sintomas dos distúrbios bioquímicos relacionados com a ingestão de álcool e no controle do alcoolismo.

Existe uma teoria que diz que o consumo de carboidratos eleva a quantidade de triptofano no cérebro. Mesmo após uma refeição rica em alimentos que são fontes naturais de triptofano, pouco triptofano atinge o cérebro devido à competição com outros aminoácidos. Contudo, depois de uma refeição rica em carboidratos, a insulina atua mais intensamente sobre os aminoácidos, realizando uma melhor distribuição dos mesmos. Deste modo, uma quantidade maior de triptofano é direcionada para o cérebro.

Os carboidratos podem também ter efeito sobre a fadiga central por adiar o aumento da concentração plasmática de triptofano livre. A ingestão de carboidratos antes ou durante o exercício proporciona redução do aumento da concentração de ácidos graxos livres no plasma, provavelmente por estimular a secreção de insulina e inibir a lipólise (WRIGHT et al., 1991; WIDRICK et al., 1993; MCCONELL et al.,1999), além de retardar também o aumento da concentração de triptofano livre durante o exercício prolongado. (DAVIS et al., 1992).

O triptofano livre compete com BCAA (Branch Chain Amino Acids - Aminoácidos de Cadeia Ramificada) pela entrada através dos sistemas L de transporte da barreira hematoencefálica (sistema de transportadores específicos de aminoácidos neutros que transportam, além do triptofano, outros cinco aminoácidos: tirosina, fenilalanina e os aminoácidos de cadeia ramificada leucina, isoleucina e valina através da barreira hematoencefálica). Uma das funções deste sistema de transporte é suprir o encéfalo de grandes aminoácidos neutros.

Durante a recuperação pós-operatória em pacientes ocorre um aumento na razão triptofano/BCAA (YAMAMOTO et al., 1997), fato também observado em animais com quadro de fadiga após exercício (BLOMSTRAND et al., 1989). O alto nível de triptofano plasmático livre em comparação com BCAAs pode resultar em aumento da entrada de triptofano no cérebro em várias regiões além de sinaptossomos estriatais (YAMAMOTO et al., 1997). Uma vez que o triptofano é o precursor para 5-HT, isto poderia resultar em um aumento dos níveis de 5-HT no cérebro, consequentemente, podendo levar ao quadro de fadiga, o que causa um decréscimo na força muscular. Este é um efeito colateral do triptofano no organismo humano.

Potencial zeta

Muitas técnicas têm sido desenvolvidas e utilizadas para estudar a modificação de superfície de nanopartículas poliméricas (Soppimath  et al., 2001). Um método eficiente para avaliar este parâmetro é a determinação do potencial zeta (ζ) de superfícies aquosas contendo nanopartículas (Legrand et al., 1999).

O objetivo deste trabalho é determinar a constante de formação do complexo de inclusão entre a beta-ciclodextrina e o aminoácido L-triptofano, visando obter indicativos de inclusão para permitir o desenvolvimento de novas formas de entrega de triptofano.

A aplicação da química computacional na simulação molecular ao nível atômico (modelagem molecular) está bastante desenvolvida e possui várias aplicações em química farmacêutica no desenho de fármacos e nos estudos in silico.

Esta aproximação teórica permite racionalizar e complementar a observação experimental com um enfoque molecular. Sua aplicação no estudo dos fenômenos de

inclusão F-CD é relativamente recente e está limitada devido ao tamanho e flexibilidade das moléculas de CD e da multiplicidade de interações em meio aquoso, o que obriga

a introduzir um grande número de restrições aos modelos matemáticos utilizados pelos programas de computador (Lipkowitz, 1998).
 

2 MATERIAIS

2.1 MATERIAS PARA A PARTE EXPERIMENTAL

Os reagentes : 2-hidroxopropil ß Ciclodextrina e l-triptofano foram adquiridos de Sigma do Brasil, água MilliQ e etanol formecidos pelo Laboratório de nanociências do Centro universitário franciscano.

Os equipamentos utilizados foram: rota-evaporador, agitador magnético, ESPECTOFOTÔMETRO UV-VIS 1650 e o ZETASIZER NANOSIZER NANOSEDIC/AUVERN, todos do laboratório de Nanociências da UNIFRA. Para a secagem do complexo foi utilizada a Câmara de vácuo do Laboratório de Química Orgânica do centro universitário Franciscano.
 

3 METODOLOGIA

3.1 METODOLOGIA PARA PARTE EXPERIMENTAL

A obtenção dos complexos entre l- triptofano e HP-ß-CD em solução foi através da solubilização de CD0,251gramas de HP-ß-Cs em 4mL de água Milli Q®, agitados por 5 minutos em plataforma de agitação magnética e  mais 5 minutos em ultassom, após a completa solubilização foi adicionado a solução 0,037 gramas de L-triptofano e o volume completado até 5mL.A mistura aquosa foi agitada por mais 5 minutos em plataforma de agitação.desta forma foram constituídas mistura com as composições estequiométricas nominais 1:1 de HP-ß-CD e L- triptofano.

Para a varredura em espectroscopia de UV-Visível foi retirado 2,5 mL das solução do complexo formado, do qual 1mL foi diluído em 1mL de água Milli Q ® e acondicionado em cubeta de quartzo já calibrado para análise de absorvância. Para análise da absorvância  em UV-visível também foi diluído 1mL da solução do complexo em 1mL de etanol.Para a produção do complexo em pó 3ml do complexo foi colocado em rota evaporador por 15 minutos e após este período o complexo foi encaminhado para a câmara de vácuo para secagem. O complexo em pó será utilizado para estudos complementares.

3.2 METODOLOGIA DA MODELAGEM

 O estudo está sendo desenvolvido até o momento com a utilização dos softwares Siesta e Chemcraft contendo fases intercaladas onde a otimização da matriz densidade é feita no software Siesta e a visualização 3D é feita no software Chemcraft.
 

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
 
4.1 Espectros em Uv-visível obtidos da análise da solução do complexo em estudo tendo como solvente água:
 
4.2 Espectros em Uv-visível obtidos da análise da solução do L-triptofano em estudo tendo como solvente água:
A análise dos espectros de absorvância do complexo de HP-ß-CD e L-triptofano; e L-triptofano puro, tanto com o uso do solvente água ou etanol permitem perceber que o L-triptofano absorve a luz em torno de 280 nm.
 
4.5 RESULTADOS DA MODELAGEM
 
Até o momento foram feitas as modelagens das estruturas moleculares do L-Triptofano e da β-Ciclodextrina, sendo que o L-Trip foi encapsulado graficamente dentro da β-CD e os cálculos computacionais estão sendo otimizados no software Siesta para posterior avaliação dos dados.
 
5  DISCUSSÃO:
  
Até o momento, nesta versão prévia do artigo não podemos citar nenhum resultado conclusivo.
 
6  AGRADECIMENTOS
  
Agradecemos, por enquanto, a Deus, se é que existe.
 

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
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